EPE recomenda DLR de R$ 2,1 milhões para elevar capacidade de linha em 20%

Tecnologia DLR elevaria o limite da linha Mogi Guaçu–São João da Boa Vista II de 79 para 95 MVA e adiaria a reconstrução para 2038.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recomendou instalar um sistema de Dynamic Line Rating (DLR) nos dois circuitos da linha de transmissão de 138 kV Mogi Guaçu–São João da Boa Vista II, no interior de São Paulo. A solução elevaria o limite normal de 79 MVA para 95 MVA por circuito — ganho de aproximadamente 20% — e permitiria adiar para 2038 a reconstrução integral do trecho.

Linhas de transmissão de alta tensão atravessam uma paisagem aberta
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O investimento estimado para o DLR é de R$ 2,12 milhões. A EPE compara esse valor com cerca de R$ 140,18 milhões para reconstruir os 46,2 quilômetros da linha com condutores de maior capacidade. O estudo foi publicado em 2 de outubro de 2026 e integra o planejamento da expansão da transmissão.

O que a EPE recomendou

O DLR substitui um limite térmico fixo por uma avaliação dinâmica da capacidade da linha, calculada a partir das condições meteorológicas e operativas. Vento, temperatura ambiente e radiação solar influenciam o aquecimento e o resfriamento dos cabos; por isso, a capacidade disponível pode variar ao longo do tempo.

Para a linha Mogi Guaçu–São João da Boa Vista II, a EPE propõe sensores nos condutores e uma estação meteorológica, além de plataforma de processamento, integração de dados e estudos de implantação. O relatório adota como referência o método da norma IEEE 738 e prevê três anos de coleta e tratamento de dados meteorológicos e operativos.

O novo limite normal seria de 399,3 ampères, equivalente a 95 MVA. O relatório registra risco temporal de 5% de a capacidade dinâmica ficar abaixo desse valor nas condições analisadas. Para contingências, o limite de emergência indicado é de 115 MVA.

Custo, prazo e vida útil

Dos R$ 2,12 milhões estimados, R$ 899,84 mil correspondem a sensores, estação meteorológica, estudos e serviços de engenharia, enquanto R$ 1,22 milhão se refere à plataforma computacional. A EPE considera vida útil de dez anos para os sensores e prazo de implantação de 14 meses, com necessidade operacional apontada para 2028.

A alternativa não elimina definitivamente a necessidade de reforço físico. Ela desloca a reconstrução para depois de 2038, quando o crescimento previsto da carga voltaria a exigir uma solução estrutural. Até lá, o DLR e outras medidas de curto e médio prazo mantêm os carregamentos dentro dos critérios avaliados no estudo.

Por que a linha precisa de reforço

O corredor atende a região nordeste do estado de São Paulo e aparece no estudo com sobrecargas projetadas em cenários de contingência. Sem intervenção, a restrição pode limitar a segurança do atendimento e a flexibilidade operativa. A reconstrução completa resolveria o problema com maior margem, mas exige investimento muito superior e obras mais extensas.

A recomendação ilustra uma mudança relevante no planejamento: antes de substituir ativos, a expansão passa a considerar tecnologias capazes de extrair capacidade adicional da infraestrutura existente. A abordagem também exige governança dos dados, critérios de segurança e coordenação entre transmissora, distribuidoras e o Operador Nacional do Sistema Elétrico.

O tema se conecta às regras recentes para disputa por acesso à transmissão e ao debate sobre os limites físicos da rede, que também afetam a conexão de baterias em pontos sem margem disponível.

Fontes

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