ONS aponta margem zero para baterias em pontos da rede

Nota técnica para os leilões de 2026 mostra restrições por barramento, subárea e área, mas não indica falta de espaço em todo o SIN.

Uma nota técnica conjunta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) indica capacidade remanescente igual a zero para conexão de sistemas de armazenamento em alguns pontos da rede considerados nos Leilões de Reserva de Capacidade de 2026.

Linhas de transmissão conectadas a uma subestação elétrica
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Imagem ilustrativa.

O resultado não significa falta de espaço para baterias em todo o Sistema Interligado Nacional. A Nota Técnica ONS DPL 0095/2026 apresenta limites por barramento, subárea e área elétrica. Dependendo do local e do critério restritivo, há pontos com margem elevada e outros sem capacidade adicional nas condições estudadas.

Onde a nota aponta margem zero

Entre os exemplos com valor igual a zero aparecem Rio Formoso II 138 kV, Bom Jesus da Lapa 69 kV, Cotegipe 230 kV, Olindina 500 kV, Paulo Afonso III-A 230 kV, Xingó 500 kV, Mussuré II 230 kV e Pau Ferro 230 kV. Os resultados decorrem de restrições que podem surgir no próprio barramento ou em agrupamentos elétricos mais amplos.

Em outros pontos, a nota estabelece tetos positivos. Bom Jesus da Lapa II 230 kV, por exemplo, aparece com limite de até 900 MW em uma das avaliações, enquanto Igaporã III 230 kV chega a até 2.000 MW. Esses números não devem ser somados como se fossem uma disponibilidade nacional, porque diferentes pontos podem compartilhar a mesma restrição de rede.

Três grupos de restrições

A metodologia combina três tipos de avaliação. A primeira mede a disponibilidade física para conectar novos empreendimentos. A segunda verifica limites elétricos em análises estáticas e dinâmicas. A terceira examina níveis de curto-circuito e a capacidade dos equipamentos existentes de suportar novas injeções.

O documento organiza as restrições em três níveis: barramento, subárea e área. Assim, mesmo que uma subestação tenha espaço físico, o empreendimento pode ser limitado por uma condição regional. Também pode ocorrer o contrário: um resultado regional positivo não elimina uma limitação específica no ponto solicitado.

Nos estudos de curto-circuito, alguns pontos recebem limites próprios. Capivari do Sul aparece com até 100 MW, Guaíba 3 com até 150 MW e Viamão 3 com até 100 MW. A nota também registra situações com valor zero, como Porto Velho 69 kV, Bom Jesus da Lapa 69 kV e Milagres 230 kV.

Premissas incluem projetos e acessos já contratados

O cálculo considera a configuração prevista do sistema para o início de suprimento dos leilões, marcado para 1º de agosto de 2028. Entram na análise instalações existentes e planejadas, datas acompanhadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, contratos de uso dos sistemas de transmissão e distribuição e reservas de capacidade para acessos em andamento.

Em alguns casos, disjuntores com capacidade insuficiente não foram tratados como limitantes quando já havia substituição planejada antes da data de suprimento. A nota também admite condicionantes operativas, o que reforça que a margem publicada é resultado de um conjunto específico de premissas e não um direito automático à conexão.

Leilões serão realizados em dezembro

Os certames de armazenamento e de potência foram organizados em duas datas. O leilão nacional para sistemas de armazenamento está previsto para 2 de dezembro de 2026. O leilão regular ocorre em 4 de dezembro. Ambos têm início de suprimento em agosto de 2028.

A publicação da margem reduz incertezas para agentes que avaliam onde cadastrar projetos, mas não substitui os procedimentos de acesso nem as exigências do edital. A localização passa a ser uma variável central: um projeto tecnicamente semelhante pode encontrar condições muito diferentes conforme o ponto de conexão.

O tema também se relaciona ao planejamento de expansão da rede. A consulta sobre o leilão de transmissão de 2027 já inclui soluções com baterias no Acre. Em outro processo, o ONS precisou retificar a capacidade de acesso na região de Campinas, exemplo de como dados de conexão podem mudar quando premissas ou cálculos são revistos.

Fontes

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