A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recomendou uma nova subestação de 500/138 kV e o seccionamento de uma linha de 500 kV para reforçar o atendimento à Grande Vitória, no Espírito Santo. A solução tem investimento estimado em R$ 689 milhões e responde ao crescimento da carga local e ao aumento dos fluxos de energia entre Nordeste e Sudeste.

A recomendação foi divulgada pela EPE em 23 de outubro e consta do Estudo de Atendimento à Grande Vitória. O diagnóstico identifica esgotamento da malha de 345 kV e radialização do sistema de 138 kV na região metropolitana de Vitória, condições que elevam o risco de sobrecargas à medida que crescem a demanda e os intercâmbios regionais.
O que está previsto no estudo
A solução indicada reúne dois empreendimentos principais:
- implantação da Subestação Serra 500/138 kV, como novo ponto de suprimento próximo ao principal centro de carga do Espírito Santo;
- seccionamento da linha de transmissão João Neiva 2–Viana 2, circuito 1, em 500 kV, por meio de dois circuitos simples com extensão aproximada total de 28 quilômetros.
A análise socioambiental usa como referência um terreno contíguo à atual Subestação Vitória 345/138 kV, pertencente à Axia Energia. Segundo a consulta registrada pela EPE, o projeto original já reservava espaço para um futuro pátio de 500 kV, o que pode dispensar aquisição de área para a nova subestação e simplificar sua conexão à rede de 138 kV.
A necessidade indicada no estudo é 2028. Esse horizonte, porém, não equivale a uma autorização de obra nem a uma data contratual de entrada em operação. O relatório R1 subsidia o planejamento da expansão; licenciamento, definição do traçado, outorga, licitação e contratação dependem das etapas posteriores conduzidas pelas autoridades e agentes competentes.
Traçado ainda passará por detalhamento
Para o seccionamento da linha de 500 kV, a EPE delimitou um corredor preliminar com cinco quilômetros de largura e faixa de servidão de referência de 60 metros. A área de estudo atravessa porções dos municípios de Serra, Fundão e Santa Leopoldina.
A nota técnica recomenda a elaboração dos relatórios R3 e R5 para a linha. Essas etapas aprofundam a diretriz de traçado, a análise socioambiental e a estimativa dos custos fundiários. A avaliação preliminar também registra a necessidade de evitar a Área de Proteção Ambiental do Mestre Álvaro e de considerar a proximidade da BR-101, remanescentes de Mata Atlântica, cursos d’água e ocupações existentes.
Para a subestação, a EPE entende que os relatórios R3 e R5 podem ser dispensados porque a implantação foi estudada em terreno já associado à instalação existente. Essa avaliação ainda não substitui os procedimentos de licenciamento e engenharia do empreendimento.
Reforço busca reduzir sobrecargas
O novo ponto de suprimento permitiria inserir a transformação de 500 kV para 138 kV mais perto da carga da Grande Vitória. A estratégia reduz a dependência da malha atual de 345 kV e amplia a robustez do sistema de 138 kV, hoje descrito no estudo como radializado.
O movimento faz parte de uma carteira mais ampla de estudos de expansão. Em outubro, a EPE informou que acompanhava 47 estudos de transmissão, dos quais 28 estavam em andamento, tema detalhado pela Eletropauta em levantamento sobre a carteira de planejamento. Outro relatório recente recomendou R$ 3,09 bilhões em reforços para o sul do Rio Grande do Sul.
A estimativa de R$ 689 milhões divulgada pela EPE é uma referência de planejamento. O valor final pode mudar conforme o detalhamento técnico, ambiental e fundiário e o modelo de contratação que vier a ser definido.
