EPE acompanha 47 estudos de transmissão; 28 estão em andamento

Informe de setembro mostra 28 estudos em andamento, nove finalizados e dez a iniciar na programação de transmissão de 2026.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) acompanha 47 estudos e atividades de planejamento da transmissão em sua programação de 2026. No informe atualizado com referência em setembro, 28 itens aparecem em andamento, nove estão finalizados e dez ainda devem começar.

Linhas de transmissão atravessam uma paisagem aberta sob o céu.
Photo by Andrew Van Hofwegen on Unsplash

O levantamento não é uma lista de obras já autorizadas. Ele mostra o estágio dos estudos coordenados pela EPE, etapa anterior à definição de soluções, à inclusão em planos de outorga e, quando for o caso, à licitação dos empreendimentos.

Carteira reúne diagnósticos nacionais e estudos regionais

Os 47 itens cobrem todas as regiões do país, além de atividades de abrangência nacional. Entre os estudos em curso está um diagnóstico da capacidade de compensação dinâmica de reativos no Sistema Interligado Nacional (SIN), com conclusão prevista para abril de 2027.

Esse trabalho parte do crescimento da geração conectada por inversores e dos recursos energéticos distribuídos, incluindo a micro e minigeração distribuída. A EPE pretende avaliar requisitos de longo prazo para controle de tensão, frequência, inércia e capacidade de curto-circuito, comparando tecnologias como compensadores síncronos e STATCOMs.

Na Região Norte, a carteira inclui estudos sobre resiliência do atendimento, controle de tensão e expansão local. Uma das análises em andamento trata da Subestação Xingu: o documento registra níveis de curto-circuito no barramento de 500 kV próximos do limite de 63 kA dos disjuntores e prevê a definição de uma solução estrutural.

Data centers e cargas eletrointensivas entram no planejamento

A programação também reflete a chegada de novas cargas de grande porte. O estudo prospectivo para inserção de cargas eletrointensivas no Nordeste aparece como finalizado. Segundo a ficha de referência, o trabalho foi motivado por pedidos de acesso ligados especialmente a projetos de hidrogênio e data centers.

No Rio Grande do Sul, outro estudo prospectivo sobre data centers permanece em andamento, com término previsto para dezembro de 2026. O tema dialoga com a projeção de carga do SIN até 2030, que já incorporou hipóteses de expansão desse tipo de consumo.

Também aparecem estudos regionais sobre crescimento de carga, esgotamento de transformações de fronteira, substituição de equipamentos em fim de vida útil e reforços de rede. Na prática, cada diagnóstico pode resultar em recomendações diferentes: reforços em instalações existentes, novas linhas ou subestações, soluções de controle ou, em alguns casos, a conclusão de que determinada obra não é necessária.

Estudo concluído não significa obra contratada

Os nove itens marcados como finalizados incluem análises no Pará, Nordeste, Goiás, Grande Vitória, Sorocaba e Indaiatuba, sul do Rio Grande do Sul e outros recortes. A conclusão do estudo encerra a etapa técnica indicada no informe, mas não equivale, por si só, à autorização, licitação ou entrada em operação de uma obra.

Alguns resultados já ganharam documentos específicos. A EPE recomendou, por exemplo, a aplicação de Dynamic Line Rating em uma linha de 138 kV em São Paulo e apresentou um conjunto de reforços para o sul do Rio Grande do Sul. Esses casos ajudam a mostrar como a programação se desdobra em soluções concretas depois das simulações e avaliações técnico-econômicas.

Próximas entregas previstas

Entre os estudos com término previsto para outubro estão análises sobre controle de tensão no Norte, atendimento no sul do Maranhão e áreas próximas, cargas no centro de Mato Grosso, expansão do eixo Cuiabá–Itumbiara, rede de Belo Horizonte e Zona da Mata, leste de Minas Gerais, regiões do Paraná e Missões, Santo Ângelo e Santa Rosa.

O informe ainda prevê para novembro o início de análises relacionadas a concessões de transmissão em fim de vigência em diferentes regiões. Esses trabalhos devem avaliar melhorias, reforços e novas instalações que possam precisar ser incorporados ao Plano de Outorgas com antecedência ao fim dos contratos.

A programação é atualizada trimestralmente. Mudanças de prazo e status devem ser lidas como acompanhamento do planejamento, e não como confirmação de investimentos ou cronogramas de obra.

Referências

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