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A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recomendou um conjunto de obras estimado em R$ 3,09 bilhões para ampliar a capacidade, a confiabilidade e a resiliência da rede elétrica no sul do Rio Grande do Sul. O estudo, publicado em 2 de outubro, reúne intervenções na Rede Básica, nas Demais Instalações de Transmissão (DIT) e nos sistemas de distribuição.
Do total estimado, cerca de R$ 1,43 bilhão corresponde a obras da Rede Básica. As recomendações incluem novos pontos de suprimento, ampliações em subestações existentes, troca de transformadores próximos do fim da vida útil, adequação de barramentos e novos seccionamentos de linhas.
Seis novos pontos de suprimento
O comunicado oficial da EPE destaca novos pontos de suprimento pela Rede Básica em São Gabriel, Universitária, Dom Pedrito, São Lourenço, Piratini e Tabatinga. Também está previsto um novo pátio de 138 quilovolts na Subestação Alegrete 2.
A aproximação da Rede Básica dos centros de consumo amplia as alternativas disponíveis para as distribuidoras. Em uma contingência, mais pontos de conexão podem facilitar o remanejamento de carga e reduzir a dependência de corredores específicos.
O estudo não trata apenas de crescimento do consumo. Ele também considera o envelhecimento de equipamentos e a necessidade de adaptar instalações aos critérios atuais de planejamento e operação.
Enchentes de 2024 mudaram a avaliação das soluções
A EPE afirma que as enchentes de 2024 levaram à incorporação mais explícita da resiliência climática no planejamento. Usinas, linhas de transmissão e subestações foram afetadas no estado, e a experiência passou a influenciar a avaliação de localização das novas subestações e dos traçados das linhas.
Foram considerados dados das enchentes, inspeções de campo e contribuições de agentes locais. O objetivo é reduzir a exposição das futuras instalações a inundações, enxurradas e outros eventos extremos semelhantes aos já observados.
A própria EPE faz uma ressalva metodológica: a resiliência climática não define quais problemas elétricos precisam ser resolvidos. Ela influencia como e onde as soluções devem ser implantadas. Permanecem no processo os critérios técnicos, econômicos e socioambientais usuais.
Investimento ainda é recomendação de planejamento
O valor de R$ 3,09 bilhões é uma estimativa associada às soluções selecionadas no estudo. A publicação do relatório não equivale, por si só, à autorização de todas as obras, à contratação dos empreendimentos nem à entrada imediata em operação.
As instalações da Rede Básica seguem os processos setoriais de planejamento, autorização ou licitação, conforme o tipo de ativo. As obras de DIT e distribuição também dependem das decisões regulatórias e da execução pelos agentes responsáveis. Cronogramas, especificações finais e custos podem mudar nessas etapas.
Essa separação ajuda a evitar que o estudo seja interpretado como anúncio de investimento já realizado. O documento fornece uma recomendação técnica que orienta a expansão da rede e os próximos atos institucionais.
Planejamento combina crescimento e adaptação climática
A região analisada conecta centros urbanos, produção agropecuária e atividades industriais ao Sistema Interligado Nacional. Com novos pontos de suprimento e maior capacidade de transformação, a EPE busca dar mais flexibilidade ao atendimento e preparar a infraestrutura para o crescimento do mercado.
O trabalho se soma a outras frentes de expansão da transmissão. O PNAST passou a tratar de disputas por acesso à rede, enquanto a consulta sobre o leilão de transmissão de 2027 inclui reforços e soluções de armazenamento em outra região do país. No caso gaúcho, o diferencial é a integração explícita entre necessidades elétricas locais e adaptação a eventos climáticos extremos.
Fontes
- EPE — Estudo de Atendimento à Região Sul do Rio Grande do Sul, publicado em 2 de outubro de 2026.
- Relatório EPE-DEE-RE-015/2026, revisão 0.
