
Imagem ilustrativa.
O consumo de eletricidade no Brasil cresceu 2,6% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Residências e estabelecimentos comerciais avançaram acima da média, enquanto a indústria ficou praticamente estável.
Os dados são da 26ª edição do Boletim Trimestral de Consumo de Eletricidade, publicada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 18 de setembro. A comparação cobre abril, maio e junho.
Residencial cresce 5,8%; indústria, 0,2%
| Classe | Variação anual no 2º trimestre de 2026 |
|---|---|
| Residencial | +5,8% |
| Comercial | +4,9% |
| Industrial | +0,2% |
| Consumo nacional | +2,6% |
A expansão residencial acelerou diante da alta de 1,3% registrada no trimestre anterior. A EPE relaciona o resultado a fatores como temperaturas, mercado de trabalho, renda e número de consumidores, sem atribuir o crescimento a uma causa única.
No comércio, o consumo chegou a 26.987 gigawatts-hora (GWh) no trimestre e cresceu em todas as regiões. O Sul apresentou a maior alta, de 9,2%, seguido por Sudeste (4,9%), Norte (3,5%), Centro-Oeste (3,2%) e Nordeste (0,9%). A EPE observa que calendário de faturamento e dinâmica econômica regional também influenciam alguns resultados.
A indústria avançou somente 0,2%, abaixo do crescimento de 1,5% da atividade industrial no período. Entre os segmentos eletrointensivos citados no boletim, veículos automotores, metalurgia, borracha e material plástico e minerais não metálicos tiveram alta. Têxteis, produtos de metal, químicos, papel e celulose e alimentos recuaram.
Mercado livre responde por 45,7% do consumo
O Ambiente de Contratação Livre (ACL) consumiu 65,8 terawatts-hora (TWh) no trimestre, alta de 3,4%, e respondeu por 45,7% do consumo nacional. O número de consumidores livres aumentou 21,5% na comparação anual.
No mercado regulado das distribuidoras, o consumo foi de 78,1 TWh, crescimento de 2,0%, com participação de 54,3% no total. O número de unidades consumidoras cativas subiu 1,7%, apesar da continuidade das migrações para o mercado livre.
O aumento de 21,5% no número de consumidores livres não deve ser lido como crescimento equivalente da demanda. Parte relevante decorre da migração de unidades do ambiente regulado para o livre após a abertura a todos os consumidores do grupo A, em janeiro de 2024. O volume consumido no ACL cresceu em ritmo bem menor, de 3,4%.
Na classe comercial, essa diferença aparece com nitidez: o consumo livre aumentou 10,3%, enquanto o consumo cativo cresceu 0,5%. A participação industrial no consumo livre caiu de 74,5% para 72,7% entre os segundos trimestres de 2025 e 2026, ao passo que comércio e outras classes ganharam espaço.
Leitura trimestral complementa o dado mensal
O boletim trimestral analisa a evolução das classes e dos ambientes de contratação em conjunto com a atividade econômica. Ele complementa a resenha mensal da EPE. A leitura de julho, já publicada pela Eletropauta, mostrou crescimento anual de 3,7% no mês seguinte ao período coberto agora.
As bases não devem ser misturadas: o resultado de 2,6% compara o segundo trimestre de 2026 com o segundo trimestre de 2025; o de 3,7% compara julho de 2026 com julho de 2025. Juntos, os dados permitem acompanhar a trajetória sem transformar uma variação mensal em tendência trimestral.
A migração para o ACL também deve ser distinguida da abertura futura para a baixa tensão. O calendário para consumidores atendidos abaixo de 2,3 kV começa em 2027 para industriais e comerciais e em 2028 para os demais, conforme o Decreto nº 13.097/2026.
Fontes
- Comunicado da EPE, publicado em 18 de setembro de 2026.
- Boletim Trimestral de Consumo de Eletricidade, ano VII, nº 26.
Texto atualizado em 21 de setembro de 2026.
