PDE 2036 projeta 979 TWh de consumo elétrico e 30 TWh para data centers

Novo caderno da EPE projeta consumo elétrico de 979 TWh em 2036; data centers podem responder por 30 TWh.

Torres de transmissão de energia ao entardecer em imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa. Photo by Robert Thiemann on Unsplash

O consumo total de eletricidade no Brasil deverá alcançar 979 terawatts-hora (TWh) em 2036, segundo o Caderno de Demanda de Energia do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 27 de outubro. A projeção representa crescimento médio de 3,4% ao ano entre 2026 e 2036.

Demanda atendida pela rede pode chegar a 878 TWh

O estudo distingue o consumo total de eletricidade — que inclui diferentes formas de suprimento, como a autoprodução não injetada na rede — do consumo atendido pelo sistema elétrico. Para a demanda da rede, a projeção passa de 620 TWh em 2026 para 878 TWh em 2036.

No conjunto de todas as fontes, o consumo final de energia deverá crescer, em média, 1,8% ao ano, de 302 milhões para 362 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep). O avanço mais rápido da eletricidade reflete a expansão da atividade econômica, a eletrificação de usos finais e novas cargas.

Data centers podem consumir 30 TWh em 2036

O caderno estima que data centers, eletromobilidade e plantas de produção de hidrogênio por eletrólise consumirão, juntos, cerca de 47 TWh em 2036, mais de dez vezes a demanda estimada para 2026. Somente os data centers deverão responder por 30 TWh naquele ano.

Essas cargas combinam grande consumo com características distintas de localização, perfil horário e flexibilidade. A projeção não define, por si só, onde serão conectadas nem quais obras serão necessárias, mas indica a escala que o planejamento da geração, da transmissão e da distribuição terá de considerar.

Indústria e transportes mantêm peso na demanda

Indústria e transportes deverão responder, juntos, por cerca de 62% do consumo final de energia em 2036. Nas edificações — residenciais, comerciais e de serviços públicos — a eletricidade continuará sendo a principal fonte, com crescimento associado à climatização, à expansão da área construída e à eletrificação de usos finais.

No transporte, a EPE aponta avanço dos biocombustíveis e da eletrificação de veículos leves, além de aumento gradual da participação de combustíveis sustentáveis de aviação, gás natural e biometano em segmentos específicos. No setor agropecuário, o diesel continuará como principal fonte, enquanto a eletricidade seguirá relevante para irrigação e equipamentos produtivos.

Projeção é indicativa e está em consulta pública

O PDE é um instrumento de planejamento indicativo, não uma garantia de realização das projeções. Os números dependem das premissas econômicas, tecnológicas e demográficas adotadas no cenário de referência. O plano está em consulta pública, com prazo para contribuições até 6 de novembro de 2026.

O novo caderno aprofunda o relatório síntese do PDE 2036. A Eletropauta já mostrou que o relatório síntese prevê 9,2 GW de armazenamento e R$ 3,3 trilhões em investimentos no horizonte do plano.

Fontes

EPE: “PDE projeta avanço da demanda de energia e ganho de espaço da eletricidade até 2036”, publicado em 27 de outubro de 2026. EPE: página do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036. Consultas em 28 de outubro de 2026.

CONTINUE A LEITURA