EPE abre matriz econômica com geração distribuída e transmissão separadas

Base detalha nove atividades energéticas e permite estudos sobre produção, emprego e renda, mas usa 2018 como ano de referência.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tornou pública uma matriz econômica que separa atividades antes reunidas em grandes blocos estatísticos, entre elas geração centralizada, geração distribuída e transmissão de energia elétrica. A base pode apoiar estudos sobre como mudanças no setor se propagam pela economia, com efeitos diretos e indiretos sobre produção, emprego e renda.

O material foi publicado em 31 de agosto de 2026 e reúne uma nota técnica e duas planilhas. A abertura dos dados amplia a possibilidade de pesquisadores, agentes e formuladores de políticas reproduzirem análises econômico-energéticas. Há, porém, um limite importante: a matriz tem 2018 como ano de referência e não representa, sem atualização, a estrutura atual do setor.

Tela de computador com gráficos e indicadores coloridos
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Imagem ilustrativa. O painel exibido na fotografia não corresponde à matriz da EPE.

Nove atividades energéticas

A Matriz Insumo-Produto (MIP) oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na versão mais recente citada pela EPE, corresponde a 2015 e apresenta 67 setores. Apenas quatro deles são diretamente relacionados à energia, com eletricidade, gás natural e outras utilidades agrupados em um mesmo setor.

O trabalho da EPE com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP) desagrega os quatro blocos originais em nove atividades: exploração e produção de petróleo e gás natural; derivados de petróleo; biodiesel; coquerias; etanol; geração centralizada de energia elétrica; geração distribuída de energia elétrica; transmissão de energia elétrica; e gás natural.

Essa separação é relevante porque permite observar relações que desaparecem em uma categoria agregada. Um estudo pode, por exemplo, estimar os insumos demandados por uma atividade e os efeitos em cadeia de uma variação de demanda, sem tratar toda a indústria de eletricidade e gás como se tivesse a mesma estrutura produtiva.

O que há nas planilhas

O primeiro arquivo complementar reúne dez abas com dados físicos, hipóteses de modelagem e pesos usados para calibrar a desagregação. As informações partem, entre outras fontes, do Balanço Energético Nacional e de referências de potência instalada. Os fluxos físicos de energia são expressos em toneladas equivalentes de petróleo (tep), enquanto os fluxos monetários usam valores correntes.

O segundo arquivo traz as matrizes de produção e de usos, os coeficientes técnicos intersetoriais e a matriz inversa de Leontief. É esta última que permite calcular requerimentos diretos e indiretos de insumos quando aumenta a demanda final de uma atividade. Também são disponibilizados vetores de demanda, importações, valor adicionado e produção.

A base inclui ainda dados de ocupação da PNAD Contínua, separados por formalidade, raça, gênero e escolaridade. Isso abre espaço para estudos sobre a distribuição do trabalho entre atividades energéticas, além de estimativas agregadas de postos de trabalho.

O novo conjunto complementa outros dados públicos usados para acompanhar o setor. A EPE, por exemplo, também divulga mensalmente a evolução do consumo, como no levantamento que mostrou alta de 3,7% no consumo de eletricidade em julho. As duas bases respondem a perguntas diferentes: a resenha mede a demanda recente, enquanto a MIP descreve relações econômicas entre atividades em um ano de referência.

Por que 2018 exige cautela

A própria nota técnica registra que a matriz parte de uma projeção para 2018 da MIP de 2015. Naquele momento, a micro e minigeração distribuída ainda não havia alcançado a capacidade instalada atual, e os dados disponíveis para o segmento estavam mais concentrados na fonte solar.

Também havia limitações de informações brasileiras sobre a estrutura de compras de geração centralizada, geração distribuída, transmissão e gás natural. Por isso, a construção usou como aproximação uma matriz dos Estados Unidos, de 2012, para compor parte dos pesos setoriais. A EPE afirma que esses parâmetros poderão ser revistos à medida que novas bases forem incorporadas.

Essas ressalvas não anulam a utilidade da ferramenta, mas delimitam seu uso. A matriz serve como estrutura para simulações e comparação entre atividades; ela não é, por si só, uma estimativa atual do número de empregos ou da participação econômica da geração distribuída. A expansão recente do segmento também precisa ser considerada em estudos que usem a base, assim como as regras do sistema de compensação explicadas no guia da Eletropauta sobre créditos de energia solar.

Fontes

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