Consumo de energia sobe 2,8% na primeira quinzena de setembro

Dados prévios da CCEE mostram alta de 5% no mercado regulado, estabilidade no mercado livre e avanço de 20,9% na geração solar.

Equipamentos de uma subestação elétrica fotografados ao entardecer.
Photo by Andrew Van Hofwegen on Unsplash

Imagem ilustrativa.

O consumo de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 2,8% na primeira quinzena de setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são prévios e foram divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) no InfoMercado Quinzenal nº 381.

O avanço ficou concentrado no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), que reúne principalmente consumidores atendidos pelas distribuidoras no mercado cativo. Nesse segmento, o consumo aumentou 5,0%. No Ambiente de Contratação Livre (ACL), a variação foi de -0,1%, classificada pela CCEE como retração.

  • Consumo total do SIN: alta de 2,8%.
  • Mercado regulado: alta de 5,0%.
  • Mercado livre: recuo de 0,1%.
  • Geração estimada: alta de 1,9%.
  • Fonte fotovoltaica: crescimento de 20,9%.

Mercado regulado avança; mercado livre fica estável

A diferença entre os dois ambientes não significa, por si só, migração de consumo de um mercado para outro. O boletim compara medições do período e utiliza critérios próprios de classificação. A CCEE informa que o ACL inclui autoprodutores, varejistas, consumidores livres e consumidores especiais. O consumo cativo de unidades parcialmente livres também é alocado ao ACL no relatório.

Os números da primeira quinzena ainda não equivalem ao fechamento mensal. Eles podem mudar com a consolidação da medição, o tratamento das perdas e o processamento definitivo dos dados. O percentual médio de perdas considerado pela CCEE em setembro foi de 1,91% para geração e 1,89% para consumo prévio.

A leitura também difere dos indicadores trimestrais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que utilizam outra base e outro período. Em levantamento recente, a Eletropauta mostrou que o consumo de eletricidade cresceu 2,6% no segundo trimestre. As duas variações ajudam a acompanhar a tendência da demanda, mas não devem ser comparadas como se fossem a mesma série.

Amazonas, Alagoas e Sergipe lideram altas

Na análise regional da CCEE, os maiores aumentos de consumo foram registrados no Amazonas, com 21,4%; em Alagoas, com 18,9%; e em Sergipe, com 18,2%.

Na outra ponta, Mato Grosso teve redução de 5,6%; Mato Grosso do Sul, de 4,6%; e Tocantins, de 2,3%. As variações estaduais refletem a combinação de temperatura, atividade econômica, perfil industrial, expansão de carga e efeitos específicos de cada mercado. O boletim não atribui sozinho uma causa única a essas diferenças.

Serviços e bebidas crescem no mercado livre

Entre os ramos de atividade acompanhados no ACL, serviços avançaram 6,5%, bebidas cresceram 6,3% e o setor alimentício teve alta de 1,8%. Minerais não metálicos recuaram 6,3%, enquanto manufaturados diversos caíram 3,0%.

Essas taxas medem a variação do consumo dos agentes modelados na CCEE e não representam diretamente o desempenho financeiro dos setores. Mudanças de carga própria, entrada ou saída de unidades e alterações de modelagem também podem influenciar a comparação.

Geração solar aumenta 20,9%

A geração estimada na primeira metade de setembro ficou 1,9% acima do mesmo período de 2025. A fonte fotovoltaica apresentou crescimento de 20,9%, e a geração hidráulica aumentou 12,2%.

As termelétricas registraram queda de 12,5%, enquanto a geração eólica recuou 14,0%. Os percentuais indicam variação da produção medida, não participação de cada fonte na matriz. A CCEE ressalta ainda que os dados de geração incluem novas unidades modeladas ao longo do mês.

A queda eólica, isoladamente, não permite concluir qual parcela decorreu de disponibilidade do recurso, restrições operativas ou cortes de geração. Da mesma forma, o aumento solar pode combinar maior capacidade instalada e condições de produção. O detalhamento exige bases operativas adicionais.

O crescimento da geração fotovoltaica ocorre em paralelo à expansão da geração distribuída. Segundo dados da EPE já analisados pela Eletropauta, a energia injetada pela micro e minigeração distribuída cresceu 41,8% em 2025. O InfoMercado, porém, mede a geração modelada na CCEE e não deve ser usado como substituto da série de MMGD.

Dados ainda são preliminares

O InfoMercado Quinzenal nº 381 foi publicado em 22 de setembro e compara os primeiros 15 dias do mês com igual período de 2025. A confirmação do resultado mensal depende da segunda edição e dos processamentos posteriores da CCEE.

Até lá, o principal sinal é de crescimento do consumo agregado puxado pelo mercado regulado, enquanto o mercado livre permaneceu praticamente estável. Na geração, solar e hidráulica avançaram, mas os dados prévios não permitem atribuir causas definitivas às variações de cada fonte.

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