O consumo nacional de eletricidade chegou a 46.841 gigawatts-hora (GWh) em julho de 2026, alta de 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Foi o quarto avanço mensal consecutivo, segundo a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Todas as classes e regiões geográficas registraram crescimento. As maiores taxas por classe vieram do consumo residencial, com avanço de 7%, e do comercial, com 6,3%.

Imagem ilustrativa; a vista do Rio de Janeiro não representa, isoladamente, o consumo nacional.
Residências e comércio puxam a alta
O consumo residencial somou 14.860 GWh em julho, 7% acima do observado um ano antes. O consumo médio residencial atingiu 181,2 quilowatts-hora por mês, maior valor da série histórica da EPE, iniciada em 2004.
A EPE associa o resultado a uma combinação de temperaturas mais elevadas, menor persistência de massas de ar frio, tempo seco, emprego e renda, aumento do número de consumidores e aquisições de eletrodomésticos. O relatório usa linguagem de possibilidade para esses fatores e não estabelece uma causa única.
No comércio, o consumo chegou a 8.345 GWh, avanço de 6,3%, a maior taxa desde agosto de 2024. A EPE aponta atividade econômica e maior necessidade de climatização como elementos que podem ter contribuído para o resultado.
Indústria tem recorde para julho
A indústria consumiu 16.918 GWh, crescimento de 0,8% e o maior volume para um mês de julho desde o início da série, em 2004. O resultado interrompeu dois meses de queda.
Dos 37 segmentos industriais acompanhados, 21 aumentaram o consumo. A extração de minerais metálicos liderou o avanço, com mais 105 GWh e alta de 8%, impulsionada principalmente pelo Pará. A metalurgia teve a maior redução, de 99 GWh, ou 2,3%.
A classe “outros”, que reúne atividades não residenciais, industriais ou comerciais, consumiu 6.717 GWh, 0,9% a mais do que em julho de 2025.
Todas as regiões consumiram mais
O Norte apresentou a maior alta regional, de 7,1%. Em seguida vieram Centro-Oeste, com 5%; Nordeste, com 3,9%; Sul, com 3,5%; e Sudeste, com 2,8%.
No acumulado de 12 meses, o consumo nacional somou 572.154 GWh, crescimento de 1% frente ao período anterior. O ritmo menor nessa janela mostra que a alta de julho foi mais intensa que a variação acumulada.
Mercado livre responde por 46,6% do consumo
O ambiente de contratação livre registrou 21.849 GWh, equivalentes a 46,6% do consumo nacional no mês. O volume cresceu 4% em um ano, enquanto o número de consumidores aumentou 19,7%.
O mercado regulado das distribuidoras respondeu por 24.992 GWh, ou 53,4% do total. O consumo avançou 3,4% e o número de consumidores, 2%.
Essas participações se referem à energia consumida, não à quantidade de unidades consumidoras. Consumidores livres estão concentrados na alta tensão e, em média, têm perfis de consumo diferentes dos clientes residenciais. Para entender as etapas futuras de abertura, veja o conteúdo da Eletropauta sobre mercado livre na baixa tensão.
O crescimento do consumo também não informa, por si só, a variação da tarifa. A conta final depende de componentes regulatórios, encargos, tributos, bandeiras e do perfil de uso; esses elementos são explicados no guia sobre a conta de luz.
