
Imagem ilustrativa de corredor com racks e equipamentos de data center.
ONS, EPE e CCEE elevaram a previsão de carga de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) para 101.947 MW médios em 2030. O valor é 3.123 MW médios superior ao estimado na primeira revisão quadrimestral do planejamento 2026-2030. A nova projeção incorpora uma expansão bem maior dos data centers e mantém a micro e minigeração distribuída (MMGD) na composição dos números.
Para 2026, a carga prevista é de 84.989 MW médios, alta de 4,1% sobre 2025. Esse número ficou 1.163 MW médios acima da estimativa da revisão anterior. Entre 2026 e 2030, as três instituições projetam crescimento médio anual de 4,5%, equivalente a um acréscimo médio de 4.064 MW médios por ano.
Os dados constam da segunda revisão quadrimestral das previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030, datada de 14 de setembro de 2026.
Data centers ganham peso na projeção
O documento prevê um acréscimo de carga de 5.653 MW médios associado a data centers no SIN até 2030. A estimativa é 63,5% maior que a considerada na primeira revisão quadrimestral e 162% superior à previsão inicial do planejamento 2026-2030.
Esse montante não deve ser lido como consumo já realizado nem como capacidade de geração instalada. Trata-se de carga projetada no horizonte de planejamento, usada para orientar estudos da operação energética. O relatório não individualiza empreendimentos nem apresenta, nas três páginas publicadas, o cronograma de cada projeto.
EPE avalia maturidade dos projetos de data centers
Em atualização publicada em 21 de setembro, a EPE informou que não considera apenas o volume de pedidos de conexão. A empresa também avalia o grau de maturidade dos projetos e compara suas projeções com o ritmo de instalação observado internacionalmente. O objetivo é reduzir o risco de contar mais de uma vez pedidos redundantes ou iniciativas ainda pouco maduras.
A EPE também mantém um portal de coleta de dados com acordos de confidencialidade para receber informações técnicas sobre os empreendimentos. Segundo o comunicado, data centers podem oferecer flexibilidade ao sistema por meio de geração no próprio local, baterias ou resposta da demanda. Essas possibilidades não representam contratação já realizada nem substituem os estudos de acesso e expansão da transmissão.
A classe comercial é a que apresenta a maior taxa média anual de crescimento do consumo no período, de 12,6%. O estudo afirma que o avanço dos data centers é o principal fator para essa expansão. Para 2026, porém, a projeção de crescimento do consumo comercial foi reduzida de 6% para 4,4%, porque a entrada desses empreendimentos ocorreu em ritmo mais gradual que o previsto.
Carga do SIN sobe em todos os anos da revisão
A nova previsão supera a primeira revisão em todos os anos analisados. A diferença é de 1.163 MW médios em 2026, 1.112 MW médios em 2027, 1.168 MW médios em 2028, 2.107 MW médios em 2029 e 3.123 MW médios em 2030.
Para 2030, a carga é distribuída da seguinte forma: 56.489 MW médios no Sudeste/Centro-Oeste, 18.278 MW médios no Nordeste, 16.897 MW médios no Sul e 10.282 MW médios no Norte. O relatório não atribui a expansão de cada subsistema a uma única causa.
A previsão de geração média da MMGD também está incluída no estudo. Ela passa de 8.536 MW médios em 2026 para 11.240 MW médios em 2030. Por isso, a carga apresentada não corresponde simplesmente à energia retirada da rede por consumidores: o documento considera a geração distribuída em sua composição, inclusive a parcela não injetada na rede quando trata do consumo.
Consumo deve alcançar 607.646 GWh em 2026
ONS, EPE e CCEE estimam que o consumo de eletricidade no SIN cresça 3,4% em 2026, chegando a 607.646 GWh. No primeiro semestre, o consumo acumulou cerca de 303 mil GWh, aumento de 2,3% sobre igual período de 2025.
O crescimento até junho foi puxado pelas classes residencial, com alta de 5,2%, e comercial, com 4,2%. O consumo industrial e o conjunto das demais classes recuaram 0,4% cada. A projeção para a indústria é de expansão de 0,7% no fechamento de 2026, abaixo do cenário considerado no estudo anterior.
Os dados complementam a leitura da resenha mensal da EPE sobre o consumo de julho, mas usam outro horizonte e outra finalidade. A resenha registra o realizado mensal; a revisão quadrimestral projeta consumo e carga para o planejamento da operação até 2030.
Clima e economia são premissas, não resultados garantidos
O cenário trabalha com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% em 2026, 2% em 2027 e 2,5% ao ano entre 2028 e 2030. O documento aponta como riscos o agravamento de conflitos geopolíticos, eventos climáticos extremos e incertezas fiscais e monetárias.
Para o fim de 2026 e o início de 2027, as instituições incorporaram a hipótese de um El Niño forte, com possível aumento do uso de climatização nas classes residencial e comercial. Essa é uma premissa do cenário, não uma confirmação de que o fenômeno ou seus efeitos ocorrerão exatamente como projetados.
A projeção de carga também não equivale a uma previsão de preço, tarifa ou PLD. O Preço de Liquidação das Diferenças depende de outras variáveis do sistema e não pode ser deduzido apenas do crescimento da carga.
Nota sobre o arquivo oficial
O nome do arquivo, o texto principal e as tabelas o identificam como a segunda revisão quadrimestral do ciclo 2026-2030. O cabeçalho, porém, ainda traz “1ª Revisão Quadrimestral” e o horizonte “2023-2027”. A Eletropauta tratou esses elementos como erro de edição do documento, sem alterar os valores apresentados nas tabelas da segunda revisão.
Fonte
- ONS, EPE e CCEE — Segunda revisão quadrimestral das previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030 (14 de setembro de 2026).
- EPE — Energia, conectividade e data centers no TechGrid 2026 (21 de setembro de 2026).
